Um retrato de Saigon e da praia do Vietnã

A caminho do trabalho

A viagem de Sieam Reap até o Vietnã foi longa e cansativa. Antes de entrar no país tivemos que obter o Visto. Um processo tranquilo através do nosso hotel em Pnom Pen. A nossa última viagem cruzando uma fronteira por terra terminou na maior cidade do Vietnã. Os primeiros sinais de Ho Chi Mihn (HCM) eram dezenas e dezenas de motos cruzando as ruas da cidade. As largas ruas de HCM eram apinhadas de motos e os ônibus estavam praticamente vazios. Um pouco de individualismo no segundo maior país comunista do mundo. Não temos dúvida que a Honda e Yamaha adoram o país. As motos não podem andar mais rápido que 40 Km/h na zona urbana e nós só vimos um acidente apesar do completo caos urbano. O vídeo abaixo é uma loucura e apesar de todo mundo no Brasil reclamar do tráfico de motos, nada se compara com o que vimos aqui.


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Antes da guerra, HCM se chamava Saigon e era a capital do Vietnã do Sul. Hoje, Ho Chi Mihn, carrega o nome do homem que comandou o país numa guerra contra duas nações extremamente poderosas, mas que morreu antes de ver o Vietnã unido. Apesar da destruição que ocorreu no passado, HCM está totalmente reconstruída. O governo não quer esquecer o conflito e as principais atrações da cidade contam as histórias da guerra. A cidade é uma metrópole e está sempre cheia de gente andando nas ruas até altas horas da noite.

Presentes dos EUA

Talvez a principal visita em HCM é a ida ao Museu da Guerra. São 3 andares de pura propaganda comunista. Os números da guerra são incríveis mesmo quando eles fazem uma comparação com a Segunda Grande Guerra e a Guerra da Coréia. Eles dizem que a guerra durou 17 anos e terminou com a queda de Saigon nas mãos dos comunistas do norte. O museu mostra fotos dramáticas e chocantes. Partes de corpos detonados e pessoas mortas, além das inesquecíveis imagens da devastação provocada pelo agente laranja. Esse que é uma das substâncias mais tóxicas existentes no mundo, é capaz de matar 3 milhões de pessoas com apenas 100 mL. E apesar de não existir mais nenhum sinal da destruição causada pela guerra, o agente laranja ainda hoje causa dor e sofrimento devido aos efeitos genéticos que as vítimas sofreram. Algumas das fotos trazem tanta repulsão que quase me fizeram chorar e solidificaram minha intolerância com relação à violência. No pátio do museu, os EUA resolveram deixar alguns “presentes”. Uma amostra do poderio militar americano na forma de tanques, aviões e de um helícoptero gigante.

Numeros da guerra

Há algumas quadras do museu fica o Palácio da Reunificação onde o presidente do Vietnã do Sul governava o país até o dia em que os tanques comunistas adentraram os portões de ferro. Aprendemos durante a visita que o presidente do Vietnã tinha um telefone exclusivo que ligava direto para a Casa Branca em Washington. Eles eram bons amigos na época. As salas dentro do prédio são mais bonitas que a arquitetura externa que pouco mudou desde os anos 70.

Surpresa!


Outra grande atração da área são os túneis de Cu Chi. Esses túneis ficam numa cidadezinha pequena perto da fronteira do Cambodia. Nosso guia dentro do ônibus era muito engraçado e foi uma atração à parte. Ele, já um senhor de idade, lutou ao lado dos americanos para derrotar os comunistas do norte. Depois da guerra foi enviado pelo governo para um “campo de treinamento” para aprender a ser comunista e esquecer do capitalismo. Mas acho que ele não foi bem treinado, pois falava muito mal do governo a toda hora. Depois que ele descobriu que o Jason era americano, passou a viagem toda brincando com ele. Foi uma comédia!

Tuneis grandes pros turistas

Os moradores da cidadezinha de Cu Chi construíram um sistema complexo de túneis para se esconder e inúmeras arapucas para as tropas americanas e do Vietnã do Sul. O governo diz que existiam centenas de túneis conectados por vários kilômetros. Nosso guia não acredita na história oficial, mas é certo que hoje em dia só alguns ainda estão abertos. Alguns dos túneis eram bem interessantes e tinham espaços pra dormir e até cozinha. Passamos pelos túneis que foram alargados para turistas. Foi um processo lento e difícil. Dava pra imaginar o que os petites vietnamitas sofriam para se deslocar nesses túneis onde o normal era rastejar com a barriga no chão.

This American Got to Stay

Olha a Loira aí gente!


Os EUA saíram do país pela porta dos fundos em 1975. A maior evacuação por helícoptero da história retirou mais de 7.000 pessoas em dois dias de Saigon. A foto da fila de pessoas entrando no helícoptero no telhado da embaixada americana é a emblemática imagem de quem perdeu a guerra. Mas se a guerra foi devido a uma briga entre capitalismo e comunismo, não temos dúvida de que o capitalismo ganhou feio. Perto do rio Saigon, shopping centers, hotéis de luxo, lojas da Chanel, Cartier e Burberry estão localizadas nas esquinas de uma grande avenida que no centro tem a estátua de Ho Chi Minh. O homem que sabia falar 7 idiomas, estudou em Paris, fundou o partido comunista do Vietnã, lutou em duas guerras sonhando em ver o Vietnam livre do colonialismo, comunista e reunificado está provavelmente tremendo no seu mausoléu em Hanói.

As melhores frutas

A última atração na cidade foi a comida. No Camboja nós não tivemos muita sorte, mas nossos primeiros dias nesse país foram sensacionais. Logo no segundo dia, descobrimos um local que vendia sucos de frutas feitos na hora. No meio da rua mesmo. Descobrimos depois que no começo da manhã a população local faz até fila no pequeno stand de sucos. Vitamina de lichia, de ata (fruta-do-conde) e até de graviola, além das exóticas frutas locais. Um outro prato que não me sai da memória foi banh mi bo kho um caldo de carne bem concentrado que foi uma das melhores refeições que tivemos na viagem. O segredo da cozinha do sul é em ter igredientes frescos e a combinação perfeita entre o azedo e o apimetando. Nos mercados, as frutas e verduras parecem de mentira. Os melhores produtos que vimos até agora.

Frutas pra que te quero


Depois de Saigon nós pegamos o primeiro e único trem até a cidade costeira de Nha Trang. Foram 12 horas até o destino. Resolvemos gastar uma graninha e ficamos em pequenos quartos no vagão que tinham quatro couchettes. Fiz logo amizade com um dos passageiros e a viagem foi tranquila e dormimos bastante.

Praia ao norte de Nha Trang

Que delícia de pé de galinha

Nha Trang é a “praia do Vietnã”. Uma cidade grande onde todo dia milhares de pessoas se dirigem a praia no fim de tarde para um banhozinho de mar depois do trabalho.

A beleza da cidade nos impressionou. Montanhas cobertas de florestas, ilhas e a água bem azul são o cartão postal da região. Nos lembrou bastante o litoral entre Rio e São Paulo, numa escala bem menor. Alugamos duas motos e exploramos o litoral ao norte e sul da cidade. A paisagem era incrível. Passamos por pequenas vilas pesqueiras e uma delas me lembrou muito o porto de Camocim-Ceará. A região é também conhecida pela excelente qualidade de frutos do mar. Claro que nós mergulhamos fundo nos caranguejos, ostras, lulas e camarões.

Ho Chi MInh

Quase no fim da nossa estadia conhecemos dois americanos que moram em Nha Trang por alguns meses e eles nos convidaram para ter uma noite realmente vietnamita. Fomos juntos com seus amigos locais a um restaurante para comer churrasco. Só que o churrasco era de intestino de porco e pé de galinha. No fim da noite ainda provamos o famoso ovo de pato. Que é na realidade um embrião parcialmente formado que eles cozinham e comem com colher e uma salsa. O meu tinha até uns pedacinhos de osso dentro do ovo, mas não consegui terminar o danado. ERA MUITO RUIM! A gente gostou mais das asinhas de frango. No fim da refeição, eles nos convidaram para comer cachorro. Mas já estava tarde, o restaurante estava fechado e nós viajamos no dia seguinte. Quem sabe da próxima vez?

Close to Nha Trang

A gente tem um álbum de fotos bem legal de Ho Chi Mihn e Nha Trang. Em Nha Trang ainda tomamos banho de lama vulcânica e na última tarde resolvemos tentar paragiding por alguns minutos. Uma experiência inesquecível de poder ver a linda cidade do alto, como um pássaro. Nos sentimos como super-homem!

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2 Responses to Um retrato de Saigon e da praia do Vietnã

  1. Iusta says:

    Muito bom esse post!

  2. Lia Campos says:

    Que trânsito maluco! Mão e contra mão nem pensar em existir, né?

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