Nepal mais um planeta no sistema solar

Cena comum em Katmandu

Ganesh, Shiva, Visnhu

Imagine um lugar onde é fácil perder a conta de tantos deuses adorados; onde um dos deuses tem cara de elefante e tantos outros chegam a ter 8-10 braços; onde as pessoas no almoço e jantar comem com as mãos (minha mãe diria: fazendo capitão); onde alguns rios são como se fosse um grande lixão e outros, considerados sagrados, pessoas viajam cenenas de Km para tomar banho, mesmo depois de corpos serem cremados nesse mesmo rio. Um lugar onde é normal homens andarem no meio da rua abraçados ou de mãos dadas; um lugar tão pobre que as pessoas não tem dinheiro para comprar um chinelo, mas que ao mesmo tempo, comida nunca falta nos diversos altares espalhados nas cidades.

Sexo nos templos, parte do ciclo da vida

Nesse lugar se você matar um boi ou a vaca, a prisão é certa e se você atropelar um dos inúmeros animais que andam soltos no meio da rua é sua a obrigação de ressarcir o dono. Nesse canto bem especial, as diferentes religiões usam um mesmo templo para reverenciar os seus deuses (imaginem cristãos e judeus rezando juntos) e o povo tem símbolos na testa identificando sua religião e sua posição na sociedade. Pode parecer tudo muito estranho, mas no Nepal algumas dessas tradições acontecem há mais de 3.000 anos. O que é ainda mais estranho é achar exótico costumes muito mais antigos que nosso euro-cristão modo de se organizar e viver.

As montanhas do Nepal

Sou sagrada e posso me deitar onde quiser...

Nepal é um país sem saída pro mar, esprimido entre os dois países mais populosos do mundo. Vários séculos atrás foi um local de intenso comércio, uma espécie de encruzilhada entre China, Índia e Europa. Apesar de se localizar estrategicamente em uma área nobre, o Nepal nunca foi conquistado e colonizado por nenhum outro país, diferentemente de vizinhos famosos da região. Vários grupos étnicos resolveram construir vilas e cidades ao longo dessas rotas comerciais e hoje existem mais de 100 etnias falando mais de 90 línguas diferentes no país. Ao longo dos 25 dias que ficamos no Nepal, vimos a imensa diversidade racial do país além de uma grande miscigenação, o que ao nosso ver tornou a população bem mais bonita do que nos países ao redor. Parece que essa idéia de mistura de raças funciona mesmo do ponto de vista estético.

Namaste!

Lixo de Katmanu nos rios da cidade

Pouco mais da metade das 27 milhões de pessoas que vivem no Nepal são analfabetas e a mesma quantidade ainda vive na zona rural. Quem nasce hoje nesse país, infelizmente não tem muita sorte. Os índicadores sociais e econômicos mostram números sofríveis de um dos países mais pobres do mundo. Mas essas cifras escondem um povo humilde e bem amigável, principalmente quando se sai da cidade e dos centros turísticos em direção à zona rural. Ao chegar na zona rural podemos ver como é difícil viver com tanta pobreza, falta de esgoto, água limpa, além do  trabalho braçal nessas regiões que é descomunal. A população ainda sofre com os resquícios de uma guerra civil de 10 anos, que terminou em 2006 com mais de 12.000 mortos, a queda da monarquia e a construção do único governo comunista eleito democraticamente na história mundial. Greves gerais e o assassinato do presidente da Suprema Corte Nacional, enquanto estávamos no país, são amostras da instabilidade política dessa democracia que ainda engatinha. Por outro lado é incrível acordar tendo como pano de fundo as maiores montanhas do mundo e algumas das mais lindas paisagens do planeta.

Não se cansa de olhar

O Nepal é, proporcionalmente, o país mais hindu do mundo, apesar de Buddha ter nascido a alguns Km da capital. É difícil entender completamente o que muitos consideram a mais velha religião do mundo. Vários hindus  nem mesmo chamam de religião, mas a definem melhor como um estilo de vida. Nós decidimos apenas tentar observar de longe as mulheres fazendo seu ritual com oferendas nas tenras horas da manhã, tocando os sinos, acendendo velas e incensos e depois oferecendo tikkas (aquele ponto no meio da testa dos hindus – o terceiro olho) aos seus familiares. É simplesmente fascinante ver como as pessoas se relacionam com os seus deuses e forças sobrenaturais de uma forma que não estávamos acostumados a ver.

Relações físicas entre homens em todo lugar

Mais uma foto do banho

Outro aspecto que nos chamou bastante atenção foram as interações públicas entre homem e mulher, que são praticamente inexistentes. Não sabemos se isso é porque as mulheres estão em segundo plano ou porque ficam mais resguardadas.  Por outro lado, diferentemente do que vemos no ocidente, as relações entre homens são bem mais físicas. Homens de todas as idades andam de mãos dadas ou abraçados no meio da rua e isso não parece ser comportamento homosexual. Se no Brasil e em outros países o simples fato de andar de mãos dadas com um amigo, pode significar uma pedrada, uma vaia, ou alguém tirando sarro de você; no Nepal, por exemplo, o contato físico entre dois homens é normal e ninguém presta atenção. Isso nos fez parar para pensar em como os costumes de uma sociedade podem ser tão cruéis para outros grupos sociais nesse mundão afora. Depois de uma conversa de bar com uma turista que trabalha em uma ONG na África, chegamos à conclusão que os países que não foram colonizados pelo mundo cristão ou mulçulmano tem muito mais tolerância com o homosexualismo. Apesar de ser tão pobre e ter tradições consideradas por muitos como ultrapassadas, duas pessoas do mesmo sexo podem se casar e viver juntas perante a lei no Nepal. Algo impensável na grande maioria dos países europeus ou do continente americano.

Teto do mundo de cima

Não é apenas uma montanha

Nossa passagem pelo Nepal, apesar dos diversos problemas de saúde que tivemos, foi sensacional. A viagem no Brasil, causou um furo grande no nosso bolso e foi ótimo gastar somente 50-70 dólares/dia. Um dólar custava cerca de 85 rúpias nepalesas e existiam duas cervejas nacionais: Everest e Ghorka.  A menos ruim era a Ghorka, que custava cerca de US$ 2-4 por uma garrafa de 600 mL. Um prato de Dal Bat (arroz e sopa de lentilha com legumes) custava cerca de US$ 3, com um franguinho aumentava pra US$ 4. Um quarto de hotel barato em Katmandu era por volta de US$ 6-10/noite.

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Sei que essa não é a praia de muitos, mas se seu interesse for passear por cenários de tirar o fôlego, observar uma cultura diferente e exótica, gastado muito pouco, num país bem pobre; Não tenham dúvida que esse é O LUGAR.

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One Response to Nepal mais um planeta no sistema solar

  1. Telma says:

    É realmente um exótico país ou como diz o título do blog um planeta do nosso sistema solar. Será que o Laos é igual???
    Vamos aguardar!

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