3 vezes UNESCO no Vietnã

BOOOOOOOOM!

O que torna um lugar especial? Depois de viajar por tanto tempo, rodando o mundo e vendo muitos cantos com diferentes características, acho que encontramos algo que faz uma cidade se tornar mais do que especial. Não é somente a beleza local, a sua arquitetura ou a comida. Um lugar inesquecível tem todas essas características, mas também traz a sensação de que tem gente morando na região turística. Afinal, a cidade é feita pelos moradores. Nós queremos ver o que eles produzem no dia-a-dia, o que eles vestem, a música que eles escutam, sua comida, a sua arte. Imagine só visitar o Rio sem ver os cariocas, ou Salvador sem os soteropolitanos. Sem graça não é?

Templo em Hoi An


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Hoi An é uma cidade que infelizmente não nos agradou nesse aspecto. É uma pequena jóia da arquitetura, combinando lindas casas chinesas, algumas japonesas e outras de pura influência vietnamita. Mas quase todas as casas e prédios foram transformados em restaurantes e lojas que só tem como objetivo vender produtos ao turista e não à população local. As pessoas não moram mais na região e sentimos falta disso.
Apesar do calor e desse pequeno problema, o lugar era belíssimo. E achamos Hoi An a cidade mais charmosa do Vietnã. Localizada no litoral e tendo um rio cruzando a cidade, Hoi An é uma das cidades com o maior volume turístico do país. Muita gente vêm à noite ao distrito histórico para jantar e tomar uma cervejinha na beira do rio. Depois do por-do-sol as coloridas lanternas são acesas em quase todas as casas. Algumas pessoas lançam copos com pequenas velas no rio, outras fazem passeios de barcos pelos canais cidade (como em Veneza). E você ainda pode tomar cerveja que é feita artesanalmente nos bares e restaurantes. Uma tradição que é passada de pai-mãe pra filho(a), que custa somente US$0.20. Provavelmente o chop mais barato do mundo! Tá certo que não é o melhor chop que já tomei, mas é muuuuito barato!

Comida de rua em Hoi An

Outro ponto interessante sobre Hoi An é a enorme quantidade de alfaiatarias. Uma colada na outra, numa infinidade de lojas com turistas tirando as medidas para a confecção de ternos, camisas, calças e vestidos. Como não podemos como carregar ternos na mochila, partimos em direção a Hué, onde ficamos somente por um dia.
Hué foi a capital do Reino do Vietnã, na época em que dinastia Nguyen estava no poder. A cidade ainda tem uma grande citadela onde a famíia real morava e que nos lembrou bastante os palácios da idade média com enormes portões e um gigantesco fosso ao redor. O palácio era bonito e também tombado pela UNESCO, mas nada de tão especial e no dia seguinte seguimos em direção à Dong Hoi.

As famosas lanternas de Hoi An

As 4 horas de viagem foram uma verdadeira experiência cultural no país. Nós éramos os únicos turistas dentro do micro-ônibus que vinha lotadíssimo. A galinha do ônibus estava amarrada pelas pernas e seu assento era em cima de uma moto que ficava bem na frente. Claro que o ônibus quebrou no caminho e paramos numa oficina mecânica para resolver o problema. O motorista abriu o motor, tirou uma peça, que foi soldada e pos de volta no seu devido lugar. Ficamos todos dentro do ônibus, esperando calmamente, num calor doido da manhã por 40 minutos. O motorista não comunicou nada a ninguém e ninguém também perguntou. Parecia até que o que aconteceu era de praxe e parte da passagem. E a galinha continuou cacarejando a cada buraco que passávamos.

Citadel em Hué

Dong Hoi é uma pequena vila na beira do mar, que me lembrou muito as cidades costeiras do Ceará. Alugamos 2 motos e em 1 hora chegamos em Phong Nha, nosso destino final. Localizada no lado oeste do sudeste asiático, Phong Nha é a continuação da paisagem que vimos na região central do Laos. As montanhas de calcário formam o relevo local que tem grutas extensas onde a água azul dos rios corre por entre uma vegetação rasteira. Nós ficamos num albergue um pouco longe das grutas, mas com ótimas recomendações na internet. Parecia que estávamos hospedados na casa de um amigo com direito a piscina, redes na varanda e muita informação para turismo.

Véu de noiva

A atração da região era simplesmente um dos maiores sistemas de cavernas do planeta. A gruta do Paraíso, como o nome já indica era magnífica e se estendia por 35 Km. Podíamos andar somente 1 Km adentro, mas as formações de calcário eram de encher os olhos. Foi a caverna mais alta que vimos. De tão alta, lembrava muito igrejas e catedrais antigas. A iluminação dava um tom especial às formações. Apesar do tom brega das cores.
Entrance into Phong Nha
Depois de visitar a caverna do Paraíso, fomos nos refrescar no rio local de águas cristalinas. Conhecemos alguns nativos que tomavam banho por lá e que nos ofereceram uma cervejinha e comida . Um pessoal bem simples e simpático. Foi uma parada merecida, pois o calor do verão era perturbador.

Gruta de Phong Nha

No dia seguinte ainda tinha uma última caverna nos esperando. A gruta de Phong Nha é mais um local tombado pela UNESCO e tem 7 Km de extensão e a única forma de entrar é de barco. Nosso passeio foi mais curto que o que fizemos no Laos para ver a gruta de Kong Lor. Navegamos somente por cerca de 500 metros e as formações rochosas eram bem mais bonitas que no Laos e parecidas com a do Paraíso. Saímos do barco duas vezes para andar em praias onde podíamos ver os detalhes das grutas mais de perto. Durante a guerra, os vietnamitas usavam Phong Nha para esconder armas, comida e como abrigo para se proteger dos bombardeios. Na gruta existem inscrições de mais de 1000 anos de idade e que dão uma idéia de que a gruta foi usada várias vezes no decorrer dos séculos pelos nativos.

Um retrato do Vietnã

Essa região de grutas nem estava no nosso itinerário. Resolvemos visitar por recomendações de outros turistas e podemos dizer que valeu muito à pena. A cidade ao redor é um dos pontos positivos do passeio, bem rural e podia-se ver que ainda não foi deturpada pelo turismo. Phong Nha, diferentemente de Hoi An tem um gosto especial do verdadeiro Vietnã.

Mais fotos das grutas estão no link.

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Um retrato de Saigon e da praia do Vietnã

A caminho do trabalho

A viagem de Sieam Reap até o Vietnã foi longa e cansativa. Antes de entrar no país tivemos que obter o Visto. Um processo tranquilo através do nosso hotel em Pnom Pen. A nossa última viagem cruzando uma fronteira por terra terminou na maior cidade do Vietnã. Os primeiros sinais de Ho Chi Mihn (HCM) eram dezenas e dezenas de motos cruzando as ruas da cidade. As largas ruas de HCM eram apinhadas de motos e os ônibus estavam praticamente vazios. Um pouco de individualismo no segundo maior país comunista do mundo. Não temos dúvida que a Honda e Yamaha adoram o país. As motos não podem andar mais rápido que 40 Km/h na zona urbana e nós só vimos um acidente apesar do completo caos urbano. O vídeo abaixo é uma loucura e apesar de todo mundo no Brasil reclamar do tráfico de motos, nada se compara com o que vimos aqui.


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Antes da guerra, HCM se chamava Saigon e era a capital do Vietnã do Sul. Hoje, Ho Chi Mihn, carrega o nome do homem que comandou o país numa guerra contra duas nações extremamente poderosas, mas que morreu antes de ver o Vietnã unido. Apesar da destruição que ocorreu no passado, HCM está totalmente reconstruída. O governo não quer esquecer o conflito e as principais atrações da cidade contam as histórias da guerra. A cidade é uma metrópole e está sempre cheia de gente andando nas ruas até altas horas da noite.

Presentes dos EUA

Talvez a principal visita em HCM é a ida ao Museu da Guerra. São 3 andares de pura propaganda comunista. Os números da guerra são incríveis mesmo quando eles fazem uma comparação com a Segunda Grande Guerra e a Guerra da Coréia. Eles dizem que a guerra durou 17 anos e terminou com a queda de Saigon nas mãos dos comunistas do norte. O museu mostra fotos dramáticas e chocantes. Partes de corpos detonados e pessoas mortas, além das inesquecíveis imagens da devastação provocada pelo agente laranja. Esse que é uma das substâncias mais tóxicas existentes no mundo, é capaz de matar 3 milhões de pessoas com apenas 100 mL. E apesar de não existir mais nenhum sinal da destruição causada pela guerra, o agente laranja ainda hoje causa dor e sofrimento devido aos efeitos genéticos que as vítimas sofreram. Algumas das fotos trazem tanta repulsão que quase me fizeram chorar e solidificaram minha intolerância com relação à violência. No pátio do museu, os EUA resolveram deixar alguns “presentes”. Uma amostra do poderio militar americano na forma de tanques, aviões e de um helícoptero gigante.

Numeros da guerra

Há algumas quadras do museu fica o Palácio da Reunificação onde o presidente do Vietnã do Sul governava o país até o dia em que os tanques comunistas adentraram os portões de ferro. Aprendemos durante a visita que o presidente do Vietnã tinha um telefone exclusivo que ligava direto para a Casa Branca em Washington. Eles eram bons amigos na época. As salas dentro do prédio são mais bonitas que a arquitetura externa que pouco mudou desde os anos 70.

Surpresa!


Outra grande atração da área são os túneis de Cu Chi. Esses túneis ficam numa cidadezinha pequena perto da fronteira do Cambodia. Nosso guia dentro do ônibus era muito engraçado e foi uma atração à parte. Ele, já um senhor de idade, lutou ao lado dos americanos para derrotar os comunistas do norte. Depois da guerra foi enviado pelo governo para um “campo de treinamento” para aprender a ser comunista e esquecer do capitalismo. Mas acho que ele não foi bem treinado, pois falava muito mal do governo a toda hora. Depois que ele descobriu que o Jason era americano, passou a viagem toda brincando com ele. Foi uma comédia!

Tuneis grandes pros turistas

Os moradores da cidadezinha de Cu Chi construíram um sistema complexo de túneis para se esconder e inúmeras arapucas para as tropas americanas e do Vietnã do Sul. O governo diz que existiam centenas de túneis conectados por vários kilômetros. Nosso guia não acredita na história oficial, mas é certo que hoje em dia só alguns ainda estão abertos. Alguns dos túneis eram bem interessantes e tinham espaços pra dormir e até cozinha. Passamos pelos túneis que foram alargados para turistas. Foi um processo lento e difícil. Dava pra imaginar o que os petites vietnamitas sofriam para se deslocar nesses túneis onde o normal era rastejar com a barriga no chão.

This American Got to Stay

Olha a Loira aí gente!


Os EUA saíram do país pela porta dos fundos em 1975. A maior evacuação por helícoptero da história retirou mais de 7.000 pessoas em dois dias de Saigon. A foto da fila de pessoas entrando no helícoptero no telhado da embaixada americana é a emblemática imagem de quem perdeu a guerra. Mas se a guerra foi devido a uma briga entre capitalismo e comunismo, não temos dúvida de que o capitalismo ganhou feio. Perto do rio Saigon, shopping centers, hotéis de luxo, lojas da Chanel, Cartier e Burberry estão localizadas nas esquinas de uma grande avenida que no centro tem a estátua de Ho Chi Minh. O homem que sabia falar 7 idiomas, estudou em Paris, fundou o partido comunista do Vietnã, lutou em duas guerras sonhando em ver o Vietnam livre do colonialismo, comunista e reunificado está provavelmente tremendo no seu mausoléu em Hanói.

As melhores frutas

A última atração na cidade foi a comida. No Camboja nós não tivemos muita sorte, mas nossos primeiros dias nesse país foram sensacionais. Logo no segundo dia, descobrimos um local que vendia sucos de frutas feitos na hora. No meio da rua mesmo. Descobrimos depois que no começo da manhã a população local faz até fila no pequeno stand de sucos. Vitamina de lichia, de ata (fruta-do-conde) e até de graviola, além das exóticas frutas locais. Um outro prato que não me sai da memória foi banh mi bo kho um caldo de carne bem concentrado que foi uma das melhores refeições que tivemos na viagem. O segredo da cozinha do sul é em ter igredientes frescos e a combinação perfeita entre o azedo e o apimetando. Nos mercados, as frutas e verduras parecem de mentira. Os melhores produtos que vimos até agora.

Frutas pra que te quero


Depois de Saigon nós pegamos o primeiro e único trem até a cidade costeira de Nha Trang. Foram 12 horas até o destino. Resolvemos gastar uma graninha e ficamos em pequenos quartos no vagão que tinham quatro couchettes. Fiz logo amizade com um dos passageiros e a viagem foi tranquila e dormimos bastante.

Praia ao norte de Nha Trang

Que delícia de pé de galinha

Nha Trang é a “praia do Vietnã”. Uma cidade grande onde todo dia milhares de pessoas se dirigem a praia no fim de tarde para um banhozinho de mar depois do trabalho.

A beleza da cidade nos impressionou. Montanhas cobertas de florestas, ilhas e a água bem azul são o cartão postal da região. Nos lembrou bastante o litoral entre Rio e São Paulo, numa escala bem menor. Alugamos duas motos e exploramos o litoral ao norte e sul da cidade. A paisagem era incrível. Passamos por pequenas vilas pesqueiras e uma delas me lembrou muito o porto de Camocim-Ceará. A região é também conhecida pela excelente qualidade de frutos do mar. Claro que nós mergulhamos fundo nos caranguejos, ostras, lulas e camarões.

Ho Chi MInh

Quase no fim da nossa estadia conhecemos dois americanos que moram em Nha Trang por alguns meses e eles nos convidaram para ter uma noite realmente vietnamita. Fomos juntos com seus amigos locais a um restaurante para comer churrasco. Só que o churrasco era de intestino de porco e pé de galinha. No fim da noite ainda provamos o famoso ovo de pato. Que é na realidade um embrião parcialmente formado que eles cozinham e comem com colher e uma salsa. O meu tinha até uns pedacinhos de osso dentro do ovo, mas não consegui terminar o danado. ERA MUITO RUIM! A gente gostou mais das asinhas de frango. No fim da refeição, eles nos convidaram para comer cachorro. Mas já estava tarde, o restaurante estava fechado e nós viajamos no dia seguinte. Quem sabe da próxima vez?

Close to Nha Trang

A gente tem um álbum de fotos bem legal de Ho Chi Mihn e Nha Trang. Em Nha Trang ainda tomamos banho de lama vulcânica e na última tarde resolvemos tentar paragiding por alguns minutos. Uma experiência inesquecível de poder ver a linda cidade do alto, como um pássaro. Nos sentimos como super-homem!

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A visita no maior complexo religioso do mundo

At Angkor Wat

Foi simplesmente incrível!
Vimos nessa viagem ruínas no México e Guatemala. Já fui à Roma, Cuzco e Machu Pichu, mas acho que nenhum desses locais se comparam com os Templos de Angkor. Se arquitetura e história fazem parte de um bom roteiro de viagem, não há dúvida que esse é um dos melhores de todo o mundo. E são vários os motivos que fazem dos Templos de Angkor um passeio diferente e mais do que especial.
1. O lugar é simplesmente enorme. São inúmeros os templos e é quase impossível de se ver tudo em 3 dias (que fio o tempo que ficamos). Para poder andar nas partes mais importantes, só mesmo de tuk-tuk. Pensamos em ir de bicicleta, mas o calor e a distância de um templo para outro são proibitivos.
2. Diferente de muitas ruínas Maias e Incas, vários templos estão eretos. Alguns tem até teto. Sei que muito já foi reformado, mas mesmo assim temos uma idéia bem concreta de como eram esses templos no passado. E bote passado nisso, os mais antigos tem mais de 1.000 anos de idade.

Look at the details

3. Os detalhes e desenhos nas pedras dos templos são impressionantes. Nunca vi nada igual. O mais legal é tentar reconhecer o que é hindu e o que é budista, já que no decorrer do Império Khmer a população mudou de religião.

4. E finalmente o poder da natureza está presente em vários dos templos. Alguns deles foram esquecidos e a vegetação voltou a crescer normalmente. O resultado foi uma simbiose dos prédios e das árvores centenárias que é surreal. E isso tudo ainda faz mais sentido quando ao estar andando por entre essas ruínas nos damos conta que segundo o hinduismo e budismo tudo no mundo é temporário. No passado esses templos foram erigidos e a floresta cortada para dar lugar a maior cidade preindustrial do planeta. Vários anos depois o império Khmer entra em declínio e a cidade desaparece. A floresta volta a crescer e destrói os templos. Mudança em cima de mudança.
A parte ruim desse passeio é que praticamente só existe uma cidade ao lado dos templos onde podemos nos hospedar. Siem Reap é a terceira maior cidade do Camboja e pode parecer para muitos um ótimo lugar pra se ficar, mas para nós nem tanto. Uma espécie de armadilha para turistas. Logo que se pisa fora do hotel, dezenas de pessoas estão no seu pé oferecendo de um tudo. Cheio de bares, restaurantes e lojinhas vendendo a mesma coisa, Siem Reap não tem muita identidade. O que nós mais gostamos de fazer foi mesmo a massagem de peixe, uma espécie de tradição turística local.
Sobre o Camboja

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Ficamos só uma semana no país e nas duas cidades mais turísticas. Então fica difícil tecer uma opinião equilibrada sobre o Camboja. Nossa impressão foi mesmo de um lugar pobre e complicado de se divertir em paz com tanta gente lhe aperreando o juízo. Pelo menos não tem violência, apesar das pessoas serem bem agressivas quando lhe abordam na rua.

Achei o Camboja muito parecido com o meu Ceará, do ponto de vista físico. Bem plano, vegetação rasteira, pés de caju, manga e até uma palmeira muito parecida com a carnaúba (veja as fotos). A diferença mesmo eram os campos de arroz que continuavam nos acompanhando.

Even the beer is called Angkor

A comida não foi tão legal quanto na Tailânia e Laos. Com a exceção de uma espécie de moqueca servida no côco que se chama AMOK. Uma delícia.
Camboja é bem mais desenvolvido que o Laos, mas têm-se a impressão de que existe mais pobreza pela quantidade de gente pedindo esmola nas ruas. Mas talvez seja porque as duas cidades são muito turísticas.
É bem estranho estar do outro lado do mundo e usar dólares para qualquer transação. Até o dinheiro dos caixas eletrônicos é em dólares. A única diferença é que tudo é bem barato. Uma cerveja custa 0.50 a 1 dólar. Um prato de comida fica por volta de 3 dólares e um quarto de hotel de mochileiro no máximo 15 dólares.

Sem dúvida valeu à pena, mas devo dizer que a presença constante de crianças e adultos na rua e nos templos lhe implorando pra comprar livros, pulseiras, camisas e água de côco nos trouxe muitas saudades do Laos.
Mais fotos dos templos e do Camboja, nesse link.

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Passado triste, mas o importante é não esquecer

Laos deixou uma saudade e uma curiosa sensação de que vai demorar muito a voltarmos a esse país. Nossa viagem continuou cruzando a fronteira e esperando 2 horas por um ônibus que, por um tempo, achei que não viria. O restante das quase 13 horas de viagem, espero esquecer um dia. O ônibus parava demais, os assentos eram desconfortáveis e a primeira visão era de um Camboja muito plano, sem graça e entediante.

Turistas deixam pulseiras decorando os campos de extermínio

 

Chegamos em Pnom Pen, capital do país, e nos dirigimos a uma área turística de mochileiros, que fica ao lado dos super hotéis localizados ao lado do rio Mekong. O calçadão na frente do rio é enorme, mas não tem nada de interessante. O rio agora é bem largo e bem diferente daquele que cruzamos na fronteira com Tailândia e Laos. Alguns edifícios coloniais franceses ainda continuam formando a barreira na frente do rio proporcionando uma arquiterura diferente do resto da cidade.

Foto macabra nos campos de extermínio

Depois de uma boa e merecida noite de sono, saímos para explorar dois pontos bem conhecidos em Pnom Pen. Nossa primeira parada foi em um dos conhecidos campos de extermínio. Camboja foi palco de um dos piores genocídios da história moderna, geralmente ignorado pelo resto do mundo. Mais de 2 milhões de pessoas, ou 1/4 da população foi assassinada entre 1975 e 1979 pela polícia de Pol Pot. Khmer Rouge era o nome do partido comunista que, após uma revoluçao armada, tomou o controle to país. A filosofia do partido se baseava na construção de uma sociedade 100 % pura cambojana e totalmente agrária. Pol Pot era o líder do partido e era uma mistura de Hitler (em busca de uma raça pura) e Mao-Tse Tung (em busca de uma sociedade desprovida de intelectuais e rural ).

Sala de aula transformanda em quarto de tortura na S-21

Quando Pol Pot tomou o poder, o Khmer Rouge forçou a população a sair das cidades e trabalhar no campo. Eles aceditavam que em plena década de 70 algumas idéias marxistas de mais de 100 anos deveriam ser aplicadas rigorosamente sem espaço para discussão. Os que eram contra o regime, os que tinham qualquer ligação com o ocidente, ou mesmo os que tinham sangue tailandês, chinês ou vietnamita eram sumariamente executados. As fronteiras do país foram fechadas para o resto do mundo e jornalistas não podiam entrar.

Vítimas eram crianças

As pessoas consideradas não-puras, intelectuais ou contra o regime eram inicialmente convidados a ficar numa prisão, onde eram torturados. Os que sobreveviviam eram levados aos campos de extermínio. Estima-se que mais de 300 campos foram criados nos quatro cantos do país. O mais conhecido ficava a alguns Km do centro de Pnom Pen e é um desses lugares que ficarão indeléveis na nossa memória. Alugamos um guia eletrônico que nos contava em detalhes como os campos funcionavam. Algumas das histórias me fizeram chegar a beira do choro de tão emocionantes, outras me enojavam por tamanha brutalidade. Armas de fogo não eram usadas pois as balas eram muito caras. Martelos, barras de metal, foices e machados eram os artigos mais utilizados para matar. O método mais cruel, foi sem dúvida, jogar crianças pequenas e bebês em troncos de árvores segurando-os pelas pernas. Ainda hoje podemos ver partes de ossos e dentes em algumas das inúmeras covas presentes no local.

Compre a liberdade do passarinho, ele pode ter sido sua bisavó

Hoje, o antigo campo de extermínio é um local diferente. Bem tranquilo e bem cuidado, tem um grande monumento no meio do parque alojando milhares de caveiras e ossos que finalmente encontraram um lugar digno para descansar. Foi um lugar para refletir sobre essa trajédia humana que recebeu tão pouca atenção ao longo dos anos. Tivemos uma longa discussão comparando isso com o que aconteceu com os judeus durante o Holocausto, que é motivo de inúmeros museus, filmes, livros e documentários. Esperamos que um dia se fale mais sobre esses genocídios esquecidos. A humanidade vai agradecer no futuro.

Palácio Real em Pnom Pen

Nossa outra visita foi na prisão chamada S-21, onde os que eram contra o regime eram torturados e depois levados aos campos de extermínio. S-21 era uma escola, mas o Khmer Rouge decidiu fechar quase todas as escolas do país. Eles acreditavam que o ensino deveria acontecer somente no meio rural com o objetivo de aumentar a produção agrícola. Outros tipos de estudo e conhecimento não eram tão importantes para a revolução. Salas de aula foram substituídas por quartos de tortura. Cada um com uma estéril cama de metal e algemas. Nas demais salas podíamos ver as fotos dos prisioneiros e um pouco da história do regime. Cada um dos torturados foi minunciosamente catalogado pelo regime. Nos chamou a atenção a idade dos presos. Muitas crianças e adolescentes eram alvo de um regime completamente ensandecido.

Depois de visitar esses lugares associados com o Khmer Rouge resolvemos seguir para o magnífico, limpo e dourado Palácio Real e Pagoda Prateada. Prédios impressionates que nos lembraram bastante o que vimos na Tailândia. Nosso hotel estava bem próximo de um outro templo enorme perto do rio Mekong e continuamos vendo muitos monges andando na rua coletando comida. Os templos continuavam lotados com inúmeras oferendas de fiéis. Do lado de fora vendedores ambulantes comercializavam flores, velas, incensos e frutas. Nada de errado em vender isso, mas um dos negócios era vender a liberdade de passarinhos. Os vendedores enfiavam dezenas de passarinhos em pequenas gaiolas e os fiéis pagavam US$ 1-2 para libertar cada animal. Uma forma bem cruel de se ganhar dinheiro, mas já ouvi falar de trabalhos bem piores.

Cabeça de porco num pequeno altar no lobby do nosso hotel

Pnom Pen tem uma atração turística deveras estranha e curiosa. No meio da rua as pessoas nos ofereciam para passar uma tarde em locais fechados atirando diferentes armas de fogo. Ainda é mais estranho depois da história recente de violência no país.

A cidade de 2.2 milhões de pessoas, a maior do Camboja é uma grande metrópole comercial da região e a melhor maneira de conhecer a cara do país. Mas nos pareceu muito turística e a presença constante de pessoas no meio da rua nos aperreando e oferecendo passeios de tuk-tuk, prostitutas, tiro-ao-alvo e maconha não é exatamente o que eu espero de umas férias divertidas. Talvez se pudéssemos fazer os 4 passeios ao mesmo tempo… mas nenhum deles foi capaz de nos oferecer essa combinação.

Aqui é Pnom Pen em fotos

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Essa é a hora e a vez de Laos

Não vimos nenhuma criança sendo servida em restaurantes por aqui

Foi sem dúvida uma das melhores surpresas da viagem até agora. Um país que muita gente nem sabe que existe. Laos não estava no nosso itinerário inicial, mas como está no meio de outros três países (Tailândia, Cambodia e Vietnã) que fazem parte do nosso roteiro, resolvemos pesquisar e saber se valeria à pena uma visita. A cada pesquisa pela internet e leitura em guias turísticos, Laos ia se tornando mais que um retalho de viagem para se tornar um dos países mais interessantes. Além da beleza natural e dos diferentes aspectos culturais que são os principais atrativos do Laos, sentimos a estranha sensação de que as horas e dias por aqui são mais lentos e demorados. As pessoas não tem pressa e a trajetória às vezes parece ser mais importante que o fim, principalmente se envolver socialização e festa. Afinal, pra que trabalhar tanto se eles podem se divertir agora ou mesmo durante o trabalho?

Uma curiosidade é que o Laos junto com a China, Vietnã e Cuba são os últimos países que se consideram comunistas no mundo. Apesar da bandeira vermelha com a foice e o martelo nas casas e em edifícios do governo, a ausência de grandes lojas e de cadeias de fast-food, a vida no Laos não nos pareceu tão comunista. Carros da Mercedes-Benz, Honda e principalmemte Toyota estão em toda parte, coca-cola é vendida em toda esquina, cada um tem seu próprio negócio e não parece que as pessoas estão sofrendo nenhuma opressão por parte de um governo de partido único e sem liberdade de expressão. Para nós não foi tão diferente de outros países pobres subdesenvolvidos e capitalistas que visitamos.

Típico habitante local passeando pelo Laos

Quase do tamanho da Grã Bretanha, mas só com 6.5 milhão de pessoas, Laos tem a mesma população do Maranhão e seu PIB é o menor de toda a Ásia com 8.3 bilhão de dólares ou 20% do PIB do Ceará. O país tem todas as características de uma nação pobre, rural e com pouca infra-estrutura.

Existe um ditado famoso nessa região que fala um pouco como o povo de cada país opera: “no Vietnã se planta o arroz, no Cambodia eles assistem crescer e no Laos eles escutam crescer”. Pode ser um pouco maldoso, mas chega até a ser poético sob outro ponto de vista. A verdade é que o trabalho por aqui é um meio e não o objetivo. Vimos sim, muita gente dando duro trabalhando nos verde-fluorescente campos de arroz espalhados pelo país de norte a sul. Porém nossa impressão foi de ver muita gente conversando, tomando café ou uma cervejinha a qualquer hora do dia.

Arroz, arroz e mais arroz

O país é essencialmente budista. O comunismo parece não ter afetado bastante a religiosidade das pessoas. Os templos e pagodas estão em todas as cidades, mesmo nas mais pequenas. Garotos de várias idades devem em algum momento viver nesses templos por alguns anos, juntos com outros pequenos monges. Todos os dias vestem o mesmo chamativo roupão laranja, estudam e rezam. A filosofia durante esse período é de total abstinência material. Nos templos eles também aprendem a meditar e tentam atingir o legendário estado de nirvana. Para uma comunidade ocidental isso pode parecer um dos piores castigos possíveis para crianças e adolescentes. Mas para muitos desses meninos é uma oportunidade de sair das pequenas vilas no meio do nada e se mudar para uma cidade maior. Lá, eles tem a oportunidade de estudar e até aprender inglês, caso sua nova morada seja uma cidade turística. Para nós turistas, assistir aos monges vestidos com suas túnicas laranjas passeando pelas ruas são um espetáculo à parte e dão um ar exótico e visualmente romântico que é a cara de tantos países budistas, e do Laos em especial.

Passeio diário, descalços, em busca de um pouco de comida pela manhã

É difícil acreditar que esse país ainda existe no mapa. Sem saída pro mar e rodeado de potências mundiais e regionais, Laos foi atacado por todos os seus vizinhos no decorrer dos séculos. China, Vietnã, Cambodia e até a distante França já ocuparam esse longo país que é banhado na sua totalidade pelo mais importante rio da região: o Mekong. Depois de muito penar, tornou-se uma nação soberana no mundo pós 2a Grande Guerra. Diante de tantos ataques no passado, eles acabaram incorporando tradições de todos esses países, formando um complexo caldeirão cultural . A língua é parecida com o tailandês, mas com um alfabeto totalmente diferente. Fisicamente eles são parecidos com os chineses, principalmente na região norte. O tradicional chapéu vietnamita é parte da vestimenta diária nos campos de arroz. E é fácil ver a mais recente colonização através dos grandes casarões franceses, os boulevares arborizados, as baguetes servidas nos cafés e as pessoas jogando petanque nos bares depois do trabalho.

Templos budistas em Luang Prabang

A paisagem montanhosa no norte nos impressiou bastante. Na parte central as montanhas de calcário, grutas e cascatas são o maior atrativo. O sul é bem mais plano e menos interessante e a grande estrela é mesmo o rio Mekong que fica bem maior e mais largo.

À medida que o tempo passava,  a população se tornava um dos melhores tesouros da viagem. Um povo muito simples, humilde, sempre sorrindo e muito curioso sobre o que nós achamos sobre o país deles. Aqui, nós raramente precisamos barganhar para comprar coisas. O preço é justo e não é inflacionado para turistas como nos outros países do sudeste asiático.

Fartos mercados no Laos

A comida era ótima, principalmente no norte e centro do país. Pratos que nem sabíamos que existiam como o apimentado molho com pele seca de búfalo, a alga de rio frita com sésame e a sensacional salada da flor da bananeira, nos mostraram como eles são inventivos na cozinha. Vamos também sentir saudades dos nossos melhores amigos nas tardes quentes de verão: os sucos de frutas tropicais cheios de gelo picado. HUmmmmmm!

A melhor cerveja - Beer Lao

Claro que Laos tem uma lenda própria entre os viajantes desse distante país. Beer Lao é a marca da mehor cerveja que provamos na Ásia. A versão escura ainda é a melhor e uma garrafa de 600 mL custa entre US$ 1-2. A moeda local se chama kip e um dólar vale 8.000 kip. Inglês é falado somente nas grandes cidades turísticas. Nas pequenas vilas e mercados fica mais complicado de se comprar uma passagem de ônibus, negociar o quarto de hotel ou comer num restaurante. Mas nós é que deveríamos aprender a língua local, não é verdade? Preços são bem baixos e um prato no almoço custava entre 2-3 dólares. Um quarto de hotel muito simples para mochileiro era sempre menos de US$ 15 com ar-condicionado e WiFi.

A vida parecia um filme em cima de uma moto no Laos

Acabamos ficando 17 dias em um país que não pretendíamos nem visitar. A verdade é que viemos na hora certa. Acredito que o país vai mudar bastante à medida que se torne mais ocidental e capitalista. A China também vem investindo bastante em troca de matéria prima. Infelizmente esse país com esse enorme potencial para eco-turismo provavelmente será invadido pelo investimento externo que invariavelmente extirpa os recursos naturais de países subdesenvolvidos em troca do prometido sonho de crescimento econômico. Um país com tantos atrativos, mas que logo, logo deve mudar. A hora de se visitar Laos é agora.

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